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QUE CONHECIMENTOS SÃO NECESSÁRIOS PARA SE ENSINAR MATEMÁTICA?
Inserido em 2010-10-18  |  Adicionar Comentário

Antigamente, para se ser professor não era exigido qualquer conhecimento além do específico da disciplina. Para se ensinar Matemática, bastava saber Matemática.

A partir de meados do século XIX surgiram em Portugal as primeiras escolas dedicadas à formação de professores primários, e só no início do século XX começaram a aparecer escolas de formação que tinham como objectivo principal dar uma preparação pedagógica aos professores dos outros graus de ensino.

A formação passou, assim, a contemplar, além de assuntos relacionados com os conteúdos a ensinar, aspectos de natureza pedagógica e didáctica.

Entretanto, muita investigação nacional e internacional tem vindo a estudar o conhecimento do professor; e, hoje, todos sabemos que para ensinar um determinado conteúdo não basta sabê-lo.

Conhecimento curricular, conhecimento didáctico, conhecimento do modo como os alunos pensam e agem são outros assuntos que fazem parte do vasto e complexo conjunto de saberes de um professor.

No caso da disciplina de Matemática, nas últimas duas décadas o enfoque tem estado também no tipo de conhecimento matemático para ensinar Matemática (por exemplo, Liping Ma, 1999 – Saber e Ensinar Matemática Elementar, Gradiva), que vai muito para além de um conhecimento estritamente matemático que é exigido a outros profissionais que lidam com a Matemática. Esse conhecimento para ensinar engloba um domínio do conhecimento matemático específico espelhado pela articulação de conhecimentos e de conceitos ligados ao currículo, aos materiais disponíveis e a um conhecimento das características e do pensamento dos alunos.

Espera-se que o professor que ensina Matemática possua uma compreensão aprofundada dos temas da Matemática que ensina. Essa compreensão irá permitir-lhe intervir junto dos seus alunos, articulando conhecimentos e sendo flexível no modo como os explora no ensino, adaptando-os aos alunos que tem.
 
Algumas questões se levantam:

– Será que o conhecimento do professor está positivamente relacionado com os níveis de aquisição dos alunos?

– Será que o professor que mais Matemática sabe é o melhor professor?

– Haverá mesmo um conhecimento específico de Matemática exigido ao professor de Matemática diferente do que é exigido a outros profissionais que lidam com esta disciplina?


Concretizando, o que precisa saber, por exemplo, um professor do 2.º ciclo para ensinar a divisão de números representados por fracções?

– Bastará saber que para se dividir se multiplica o dividendo pelo inverso do divisor?
– Convém também saber que  =   ?
– Será importante conhecer as categorias de situações que podem ser resolvidas pela expressão?

Quem é apaixonado pelo ensino da Matemática vai com certeza querer aprofundar o seu conhecimento no sentido de se tornar cada vez mais capaz de lidar com estas e tantas outras situações.

Mas, afinal, não teremos mesmo que ter, para além da paixão pelo ensino, a paixão pela própria Matemática?


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A Equipa

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Olá a todos! Sem dúvida que este post dá pano para mangas. Não se pode ensinar Matemática sem se gostar... para mim isso é ponto assente. Oiço frequentemente colegas, principalmente de 2.º ciclo, a dizer que a maior parte dos temas do secundário, e mesmo alguns do 3.º ciclo, são horríveis, que detestavam... Há que perceber o que se dá a jusante para que o que se faz a montante seja bem feito. Penso que muitas das «modernices» do nosso sistema de ensino é que estão a transformar a matemática no estado em que se encontra, pois os grandes professores de antes, pouca ou nenhuma didáctica tinham, mas conseguiram formar gerações e gerações que hoje sabem a matéria. Estaremos a ir no caminho certo? Muitas metodologias, pedagogias, e tantas «ias»? Não é fácil, mas penso que se terá de encontrar uma situação de equilíbrio, pois, muitas vezes, nas tarefas que alguns professores propõem aos alunos, são os próprios professores que estão a fazer as descobertas que nunca tinham feito... e eu já assisti muitas vezes a isso em assessorias. Não basta aplicar tarefas sem as dominar, e para as dominar é preciso conhecimento e também tempo, que é cada vez menos nas nossas escolas; por isso há que repensar se este é o caminho... Bom trabalho a todos.