Antigamente, para se ser professor não era exigido qualquer conhecimento além do específico da disciplina. Para se ensinar Matemática, bastava saber Matemática.
A partir de meados do século XIX surgiram em Portugal as primeiras escolas dedicadas à formação de professores primários, e só no início do século XX começaram a aparecer escolas de formação que tinham como objectivo principal dar uma preparação pedagógica aos professores dos outros graus de ensino.
A formação passou, assim, a contemplar, além de assuntos relacionados com os conteúdos a ensinar, aspectos de natureza pedagógica e didáctica.
Entretanto, muita investigação nacional e internacional tem vindo a estudar o conhecimento do professor; e, hoje, todos sabemos que para ensinar um determinado conteúdo não basta sabê-lo.
Conhecimento curricular, conhecimento didáctico, conhecimento do modo como os alunos pensam e agem são outros assuntos que fazem parte do vasto e complexo conjunto de saberes de um professor.
No caso da disciplina de Matemática, nas últimas duas décadas o enfoque tem estado também no tipo de conhecimento matemático para ensinar Matemática (por exemplo, Liping Ma, 1999 – Saber e Ensinar Matemática Elementar, Gradiva), que vai muito para além de um conhecimento estritamente matemático que é exigido a outros profissionais que lidam com a Matemática. Esse conhecimento para ensinar engloba um domínio do conhecimento matemático específico espelhado pela articulação de conhecimentos e de conceitos ligados ao currículo, aos materiais disponíveis e a um conhecimento das características e do pensamento dos alunos.
Espera-se que o professor que ensina Matemática possua uma compreensão aprofundada dos temas da Matemática que ensina. Essa compreensão irá permitir-lhe intervir junto dos seus alunos, articulando conhecimentos e sendo flexível no modo como os explora no ensino, adaptando-os aos alunos que tem.
Algumas questões se levantam:
– Será que o conhecimento do professor está positivamente relacionado com os níveis de aquisição dos alunos?
– Será que o professor que mais Matemática sabe é o melhor professor?
– Haverá mesmo um conhecimento específico de Matemática exigido ao professor de Matemática diferente do que é exigido a outros profissionais que lidam com esta disciplina?
Concretizando, o que precisa saber, por exemplo, um professor do 2.º ciclo para ensinar a divisão de números representados por fracções?
– Bastará saber que para se dividir
se multiplica o dividendo pelo inverso do divisor?
– Convém também saber que
=
?
– Será importante conhecer as categorias de situações que podem ser resolvidas pela expressão
?
Quem é apaixonado pelo ensino da Matemática vai com certeza querer aprofundar o seu conhecimento no sentido de se tornar cada vez mais capaz de lidar com estas e tantas outras situações.
Mas, afinal, não teremos mesmo que ter, para além da paixão pelo ensino, a paixão pela própria Matemática?
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