“Quando comecei a estudar, raramente a escrita era ensinada; em vez disso, era exigida e, depois, corrigida. […] A sua ênfase estava no produto final, não no processo que levava até ele. Acho que jamais algum professor me observou enquanto eu escrevia, escutou as minhas ideias sobre como escrever bem ou conversou comigo sobre as minhas estratégias de composição escrita. Jamais souberam como eu passava as minhas noites antes que uma composição fosse produzida.” Lucy McCormick Calkins
Na sequência do post anterior, em que apresentámos La Cocina de la Escritura, de Daniel Cassany, continuamos, esta semana, a falar de escrita e da forma como ela deve ser ensinada na escola.
O livro que sugerimos intitula-se A arte de Ensinar a Escrever, da autoria de Lucy McCormick Calkins. Trata-se de uma obra bastante abrangente que aborda o ensino da escrita numa perspectiva processual através da qual valoriza os processos que intervêm na construção de um texto.
A autora defende que a aprendizagem da escrita pelas crianças deve fazer-se em comunidades de aprendizagem, através de “oficinas de escrita”, nas quais os textos vão sendo progressivamente aperfeiçoados.
Esta ênfase no processo de escrita valoriza o rascunho como um elemento fundamental do aperfeiçoamento da escrita, fazendo com que se torne parte de um todo, que começa com a pré-escrita e só termina na sua socialização, isto é, na sua divulgação à turma ou grupo de trabalho.
A actuação do professor nesta forma de trabalho é absolutamente fundamental, visto que pode acompanhar as produções escritas dos seus alunos no momento em que eles as produzem e não recolhendo os textos para correcção posterior, como é hábito enraizado no nosso ensino.
Das seis secções que constituem esta obra destacamos a III, que trata das conferências de escrita, a IV, que se refere ao papel do professor, e a VI que se debruça sobre as modalidades de escrita. Há ainda uma outra secção não menos interessante que as anteriores e que trata especificamente das relações que se estabelecem entre a leitura e a escrita.
Disponibilizamos em anexo a capa e as páginas de índice da versão em Português editada pela Artmed, de S. Paulo, Brasil.
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A Equipa
Comentário
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Considero positivas...
| Autor: Aurora Gomes
Considero positivas todas as ferramentas que nos auxiliem na tarefa de levar os nossos alunos a escrever melhor e a presente obra parece interessante. Contudo, como já referiu uma colega, é preciso tempo para a escrita. Na minha escola, no 8.º ano, temos mais 45 min. por semana, que são dedicados à escrita. A minha experiência (e a das restantes colegas) parece comprovar que o que é preciso é tempo e dedicação: tenho duas turmas de 8.º e os próprios alunos se espantam ao ver os textos que produziam em Outubro e o tempo que demoravam até chegar ao produto final. Agora, são eles próprios que propõem tipos de texto e temas variados para as aulas de ACLP.
Capa de Arte de ensinar a escrever ]